sexta-feira, 7 de junho de 2013
50 tons de Teddy capitulos 1 e 2
50 tons de Teddy
Capitulo 1
- Sr. Grey a sua ultima reunião foi cancelada. - diz sua assistente.
- Obrigado Sara, amanha tire o dia de folga, eu não venho para o escritório. - disse ele em meio a um longo suspiro.
- Obrigada senhor, e tenha um bom fim de semana.
Um longo silencio se estendeu, ele podia ouvir a respiração de sua assistente do outro lado da linha esperando por alguma palavra ou ordem. Nunca soube lidar com todo o poder que lhe era dado, às vezes chegava a achar que não o merecia, nunca fizera nada demais para merecê-lo, para isso só precisou nascer. Desde jovem sempre fora tratado com grande formalidade, e isso lhe obrigava a ser mais responsável do que realmente deveria ser.
Girou na sua cadeira encarando a vista da cidade aos seus pés, respirou fundo tentando imaginar algo diferente para sua vida, era apenas mais uma sexta-feira, entediante como todas as outras.
- Sara? – disse com a voz rouca
- sim senhor.
- Pode ir Sara, e feche tudo eu saio logo em seguida.
- Sim senhor Grey, tenha uma boa noite.
- Obrigado Sara, boa noite. - disse por fim pondo o telefone na base.
Continuou encarando a vista de Seattle sob seus pés, encarava as paredes brancas do seu escritório, tudo parte do edifício que ele mesmo reprojetou, eram as mesmas paredes que um dia seu pai havia construído, ou pelo menos mandado construir.
Ele era Theodore Grey herdeiro do milionário Christian Grey, sorriu inconscientemente lembrando-se de seu pai, admirava-o em todas as suas fases, admirava-o como homem, marido, como pai, como amigo, e sempre iria admirar as 50 fases de Christian Grey.
Encarrou por um tempo seu próprio reflexo no chão de mármore branco imaculado, ele tinha os cabelos do pai, rebeldes num tom cobreado, mais seus olhos eram da sua mãe, tão Verdes. Encarou por um tempo as fotografias de seus pais que estava sobre a mesa do seu escritório. Ao lado da foto onde pousava com seus irmãos tinha uma foto da sua mãe, a sua favorita.
“Anastásia Grey não era apenas uma mãe amorosa, ela era um anjo, sempre tão meiga e doce, era impossível de esquecer a som doce de sua voz chamando-o de ‘Teddy”. Ela sempre tinha o poder de acalenta-lo, nos seus braços parecia que nada de ruim poderia acontecer. Seu pai a amava tanto, ambos sempre tão apaixonados, era incrível de ver a transformação que seu pai sofria na presença dela, ele parecia sempre mais jovem. Sentiu seu coração apertado com a ideia de nunca amar de tal forma. Claro que já havia se relacionado com mulheres antes, no colégio e na faculdade tivera algumas paixões, mas nenhuma mulher o havia conquistado por inteiro, elas eram sempre tão iguais, sempre tão vazias.
“como mamãe se sentiria sabendo que me sinto assim tão... Vazio.” – pensou.
Passou as mãos agressivamente pelos cabelos desejando nunca ter iniciado esse pensamento, era jovem e, no entanto nunca agira como tal, seus parentes sempre ironizavam dizendo que ele era a imagem de seu pai antes de conhecer sua mãe. Nunca soube muita coisa sobre como seu pai era quando mais jovem, lembrava-se vagamente de como era seu pai quando era criança, tinha vagas lembranças das brincadeiras que faziam, ou do tempo que passavam juntos. Lembrava-se das mudanças repentinas de humor que ele sofria, e da sua mãe sempre reclamando sobre sua obsessão por controle, mas tudo isso mudou com o tempo, seu pai era como um adolescente crescendo gradativamente, aprendendo ou adaptando-se a uma nova realidade. Quanto a essas características nunca viu nenhuma que se adequa-se a vida de Theodoro Grey.
Obviamente havia alguns pontos entre eles que era indiscutíveis, ambos tinham sacrificado uma vida jovem por uma carreira de sucesso, e havia claro as tais características genéticas que não podiam ser deixadas de lado.
Em um impulso pegou as chaves do carro e sem se dar a chance de pensar uma segunda vez dirigiu ate o pequeno bar de esquina com seu escritório.
Não era de beber, nunca ficou bêbado, a não ser uma vez na faculdade, mas não se orgulhava e por isso nem gostava de lembrar o acontecido, mas sabia que precisava de algo que o fizesse esquecer aquele vazio que o consumia.
Entrou no bar meio inconsciente do que estava fazendo ou ate de onde estava, olhava em volta parecendo atordoado, quando estava dirigindo a caminho do bar tivera a sensação de estar sendo seguindo, e isso o fez lembrar-se do terror que passou semanas atrás, mas ate onde ele sabia esse caso já havia sido resolvido.
- um uísque triplo, por favor. - disse sentando-se em um daqueles banquinhos solitários em frente ao balcão.
Uma moça elegantemente vestida de preto e branco fazia malabarismo com algumas coqueteleiras, ela se movia graciosamente no ritmo de uma balada moderna de tocava ao fundo.
Ela sorria docemente na sua direção enquanto continuava a se movimentar, olhava-o disfarçadamente desviando o olhar quando sua atenção se voltava para ela, por ultimo ela lhe deu uma piscadela sorrindo, ele respirou fundo enquanto bebia o resto do líquido marrom que havia no copo.
- Cortesia da casa Sr. Grey - disse o garçom depositando uma taça cheia de um coquetel colorido, com frutas silvestres e pequenos guarda- chuvas nas bordas.
Theodoro lhe deu um aceno breve de cabeça em agradecimento enquanto o garçom se distanciava, ele olha rapidamente na direção da Barwoman que esbanja um largo sorriso de orelha a orelha, enquanto mexe os quadris na batida da musica de fundo numa dança que para ela deveria ser sensual.
Ele tomou um pequeno gole do conteúdo da taça lhe dando um sorriso tímido, enquanto ela continuava a dançar satisfeita consigo mesmo.
Ele agarrou o copo de uísque que havia sido enchido sem que ele percebesse, e bebeu todo o conteúdo em um só gole.
- Sr. Grey - disse Taylor sentando ao seu lado no bar - aga naturalmente.
- Taylor! – respondeu controlar o volume de sua voz.
- Desculpe lhe interromper senhor, mas acredito que o seu carro esta sendo seguindo senhor. - disse Taylor aparentemente distraído numa voz casual.
- Seguido? - repetiu, mais pra ele do que para quem estava ao redor, lembrou-se vagamente da sensação de sentira quando saiu do escritório, e do desconforto que sentiu ao entrar naquele bar.
- Meu pai sabe disso? - perguntou tentando parecer calmo
- Sim senhor, o Sr. Grey esta ciente ele estava com o Ryan e acompanhado da Sra. Grey quando o carro foi detectado.
“Ah não mamãe...” – pensou. Sabia como sua mãe reagia quando se tratava da segurança dos filhos, ela deveria estar histérica nesse momento.
- Taylor...
- Sim senhor, os culpados são os mesmos mais acredito que tenham mais envolvido, por isso... Tome cuidado senhor... - disse Taylor respondendo as suas perguntas não ditas. - A senhora Grey esta bastante preocupada. - ele disse por fim lhe entregando as chaves do carro.
-Sim, claro que está – disse ele consigo mesmo - Taylor ligue pra minha mãe, por favor, e tente acalma-la - ele disse passando as chaves do seu carro para Taylor - e verifique se os outros estão em segurança, eu não me perdoaria se algo acontecesse com algum deles como da ultima vez. - disse enquanto se levantava.
- Há uma muda de roupa no banco traseiro - disse Taylor tomando um gole de uísque. Theodoro lhe deu um sorriso casual e caminhou em direção ao estacionamento.
Theodore cruzou o estaciomento tirando o paletó e despenteando os cabelos enquanto caminhava. Soltou uma grande suspiro tentando extrair toda a tensão de seu corpo, entrou no carro olhando ao redor do local, e deu partida.
“Mantenha a calma Grey – repreende a si mesmo – Você já fez isso antes.”
Quando chegou na estrada principal desacelerou, parando no acostamento. Começa a desabotoar os botões de sua camisa e percebeu que seus dedos estavam trêmulos. Sim, Theodoro Grey está nervoso, assim como seu pai, ele era um homem de personalidade forte, tinha o seu que de sentimentalismo, mas o mantê-lo bem guardado, por isso às vezes deixava sua razão falar mais alto mostrando ate uma certa frieza em casos específicos.
Troca rapidamente de roupa, vestindo uma camiseta de mangas curtas na cor cinza e uma jaqueta preta que estavam em uma sacola no banco de trás do carro.
“mantenha a calma Grey” disse a si mesmo e agarrou novamente o volante.
Depois do que lhe pareceu um longo tempo seu telefone toca. É Taylor.
- Sim Taylor. – disse numa voz embargada.
- Senhor sinto dizer que achamos um individuo com dados referentes a senhorita Grey. – disse Taylor com uma voz cansada.
- Ah não... Phoebe. – sussurrou dando voz a seus pensamentos.
- Sim senhor. – confirmou Taylor. – Luke está responsável por ela senhor, não se preocupe.
- Obrigado Taylor, e o que me diz sobre o meu caso, sinto que ainda estou sendo seguido. – disse friamente.
- Sim senhor ele esta alguns metros atrás, esta mantendo distancia, tente não pegar I-5, e não vá para casa agora, ela certamente sabe o caminho.
- Ela? – disse passando a mão pelos cabelos. Não pode ser, é impossível pensar em outro nome que não seja... Elena.
- Sim senhor. – respondeu Taylor depois de um tempo.
- E como está minha mãe Taylor? – perguntou tentando mudar de assunto.
- A senhora Grey esta... Brava senhor, muito brava e preocupada certamente. – Taylor parecia buscar as palavras certas para responder àquela pergunta. Sim, certamente sua mãe devia estar uma fera com tudo isso, nem ele nem seus irmãos sabia da relação que havia entre Elena Lincon e os Grey, tudo que sabiam era que sua presença era indesejada naquela família. Anos atrás Theodoro ouviu uma conversa entre seus pais a respeito de Elena, uma conversa sobre uma relação que ocorreu entre seu pai e aquela mulher. Meses depois aconteceu o maior pesadelo da sua vida, Elena numa crise de loucura tentou raptar Theodoro, certamente ela se transformou numa mulher perturbada, mas o motivo ainda lhe era desconhecido. Ele tinha apenas 12 anos quando aconteceu aparentemente ela não lhe fez nenhum mal, apenas tentou... Seduzi-lo.
Sua mãe ficou louca de raiva, essa lembrança a atormenta ate os dias de hoje, não só aquela lembrança, mas também a presença de Elena. Essa passou os últimos anos internada, seu pai havia levado os vários anos de amizade que um dia tivera por ela e decidiu não denuncia-la, mas o rancor e a magoa pelo que ela tinha feito a sua família lhe marcaram intensamente.
Semanas atrás Elena tinha voltado a lhe procurar, tanto a ele quanto a seu pai, certamente algum dia ela amou Christian Grey, e como não pode tê-lo via em Theodore a imagem de um homem que um dia ela desejou, via nele a imagem de seu pai. Mas o que isso tinha haver com sua irmã? Ela agora estava de olho em Phoebe, e em quem mais? Ella, Clair? Ainda sentia-se culpado por ter envolvido Leonard nesse caso, pois estava em sua companhia na ultima vez que Elena o abordou.
Sim temia imensamente que algo acontecesse a sua irmã, mesmo não sabendo o motivo porque tudo aquilo estava acontecendo com ele, ele não queria que ninguém mais se envolvesse nesse caso.
Balançou a cabeça tentando espantar aqueles pensamentos para longe.
- Obrigado Taylor. – disse voltando a realidade.
Havia começado a chover, inconsciente de onde estava indo pega a direita, sentindo um novo modelo de Ford de cor vermelha acelerar atrás dele. Acelera, vendo rapidamente o edifício escala ficar para trás, ele deu a volta no grande edifício recém reformado pela “construções Grey”, o pensamento lhe faz sorrir, ou é a adrenalina, que estava atravessando seu corpo como uma forte corrente elétrica. Enquanto retornava o Escala, um pensamento veio a sua mente. Sim, um lugar perfeito, onde ninguém imaginaria encontra-lo lá, nem mesmo a louca da Elena.
Seu pai o havia levado lá uma única vez, fazia tempo mais certamente se lembraria do caminho, sabia que não era muito longe de onde estava. Parou em um beco escuro, de esquina com uma antiga casa de show, ou seria um karaokê bar? Bem isso não importava. Desligou o carro, enquanto esperava o pequeno carro vermelho perseguidor passar direto, por onde ele estava.
- Isso! – gritou pulando do banco do motorista satisfeito consigo mesmo.
Ainda chovia lá fora, mesmo assim desceu do carro trancando as portas, e seguiu a passos regulares sob a chuva por um quarteirão ate chegar em frente de um pequeno edifício. O lugar parecia diferente da ultima vez que esteve aqui, mas era o mesmo prédio para o qual sua mãe se mudara com sua tia Kate anos atrás.
Não entendia o motivo que lhe trouxera àquele lugar, mas sentia que ali estaria seguro. A chuva estava cada vez mais forte, podia sentir a gostosa sensação das grosas gotículas de água molhar seu rosto, fechou os olhos saboreando aquela maravilhosa sensação, e permaneceu ali ate ouvir um barulho de carro se aproximando.
- Merda! – gritou enquanto corria para a escada de emergência, agradecendo aos céus por não ser mais um jovem sedentário, certamente faria grande proveito das aulas de ginastica a partir daquele dia, confessando para sim que ate então numa dera grande importância às visitas do seu personal trainer.
Sobe rapidamente as escadas apoiando seu pé rapidamente no parapeito das janelas para verificar se havia alguma janela aberta.
- Droga, droga – xinga em murmúrios ao ouvir o som do motor do carro cada vez mais próximo. – Aleluia. – diz baixinho levantando as mãos para o céu quando encontra finalmente uma janela aberta, procurando rapidamente por alguma coisa e sorrir ao ver um rabisco escrito no parapeito da janela. Entra clandestinamente fechando a janela em seguida, no mesmo instante que o pequeno Ford vermelho cruza a rua em toda velocidade. Sim era ela, ele pode ver seus cabelos loiros pelo vidro entreaberto. Curva-se para a frente apoiando as mãos nos joelhos, sua respiração ofegante e seu rosto queimando pelo esforço e pela adrenalina que ainda corria nas suas veias. Continua na mesma posição como se tivesse corrido uma maratona. De repente senti algo atrás dele, e logo depois um pequeno golpe em um de seus joelhos faz suas pernas penderem.
Ele tateia o espaço escuro atrás dele agarrando pequenas mãos macias ao mesmo tempo que gira o corpo do individuo para frente do seu, prendendo-lhe os pulsos com as mãos apertando-o contra seu tórax. Uma espessa nuvem de cabelo cai desfazendo-se de uma espécie de coque mal arrumado, longos e sedosos cabelos fecham sua visão, ele exala um doce e suave perfume que emana da pequena presa em sua frente, ele senti o pequeno corpo preso contra ele enrijecer. Ele solta uma de suas mãos prendendo-lhe os pulsos apenas com um das mãos, e com a outra mão recolhe – lhe o cabelo colocando-o de um lado apenas sobre o ombro, o corpo estremece sob seu toque.
- Calma – ele diz numa voz suave, sentindo o corpo arrepiar-se quanto seu hálito quente lhe toca a pele do pescoço – e, por favor, não grite, eu não estou aqui para rouba-la, e nem quero machuca-la. – continua soltando-lhe os pulsos.
Ele a solta suavemente afastando seu corpo devagar, quando ela se agacha e gira o corpo ao mesmo tempo lhe dando uma rasteira. Ele cai no chão e bate a cabeça em algum lugar que faz um som surdo que ecoa por toda a sala.
- Oh não... – ela exclama em horror – Droga!
Capitulo 2
Ele leva as mãos a cabeça latejante, agarrando ambos os lados do rosto sentindo o líquido grosso e quente escorrer por entre seus dedos.
O cheiro forte de ferro invade o pequeno ambiente ele continua deitado no chão, tentando controlar as pontadas na sua cabeça e o sangue que continua a escorrer.
- Ai Meu Deus! – ela exclama de repente. Corre em direção ao interruptor e no segundo seguinte está ajoelhada ao seu lado, coloca um joelho de cada lado do corpo dele e sobe sentando em suas pernas. Agarra suas mãos ajudando-o a levantar o tronco, inclina-se para trás num movimento lento e franze os olhos contraindo a pequena boca rosada e esculpida em forma de coração, e encara-o como se estivesse avaliando-o.
- Senhor, você não tem cara de ladrão – ela disse depois de alguns segundos pensando alto demais – o que acha que estava fazendo? Por acaso é algum louco para invadir o apartamento de uma jovem sozinha. – continua num tom repreensivo.
- Não... É... Desculpe-me. – disse ele finalmente com uma voz rouca. Sentia o seu sangue queimar, sua temperatura subir, o que estava acontecendo com ele? Nunca se sentira de tal forma antes. Ela continuava em cima dele com uma expressão inocente e brincalhona nos olhos, mas mantinha a mandíbula contraída certamente para parecer aborrecida, enquanto encarava-o institivamente esperando uma resposta. – Eu estava...
- Fugindo? - diz ela rapidamente completando a frase.
- Porque diz isso? – perguntou ele arregalando os olhos. Dessa vez foi a vez dele de encara-la, seu rosto era belo, suave, tinha doce olhos em um tom castanho levemente amendoado, um nariz pequeno e afilado, sua pele era branca e suave, e muito macia, pode sentir sua maciez e o calor que emanava dela quando a manteve presa a si por um breve tempo antes de se encontrar caído no chão. Olhava-a minuciosamente analisando cada detalhe de seu rosto, demorando-se um pouco mais na sua boca de cor levemente rosada. Ela mantinha os lábios entreabertos tentando controlar a respiração, seu hálito fresco batia contra sua pelo causando-lhe arrepios. Sim, ela tinha grande efeito sobre ele, fazia-o sentir o que nenhuma outra ousou fazer em todo esse tempo. Sentiu seu coração bater mais forte quando ela esboçou um leve sorriso em reação a pergunta que a fizera.
- Você parecia... Assustado. – ela disse alargando ainda mais seu sorriso. Ela esta rindo dele? Sim, ela esta.
- Assustado? – repetiu a palavra analisando-a, assustado não era um adjetivo que descrevesse como estava se sentindo no momento que invadira aquele lugar. – Se achas que parecia assustado porque me atacou? – ela mudou sua expressão de sorridente para pensativa.
- Você invadiu minha casa, quer motivo maior que esse? – disse ela depois de algum tempo. – assustado ou não, eu sou a vitima aqui. – disse ela friamente. Agarrou-lhe as mãos, que ele ainda mantinha sobre o ferimento, e inclinou para trás para observá-lo. Seus dedos finos e delicados percorriam a linha de sua mandíbula, fazendo o percurso por onde o sangue escorria. Ele sentia seu corpo tremer sobre cada toque que ela lhe dava, sua respiração acelerada, sua pele formigando deixando o rastro de onde ela havia o tocado. Seu corpo traia-o, entregando-se a maravilha que era seu toque.
- Espero que não se importe – ela disse ainda no mesmo tom frio, enquanto rasgava um pedaço da camisa dele. Ela retirou o excesso de sangue e depois amarou a faixa em volta da sua cabeça.
- Venha. – ela disse levantando-se com um sobressalto parando de frente para ele com uma das mãos estendidas. Ele pegou sua mão levantando-se, sentia-se tonto. Depois que estava de pé ela largou-lhe a mão e seguiu atravessando a pequena sala.
- Deveria chamar a policia. – disse ele sem expressão. Ela parou hesitando e sem olhar para trás disse:
- É eu deveria.
Ela seguiu ate o fim de um corredor, deixando-o sozinho, voltando minutos depois com uma maleta e um kit de primeiros socorros.
- O que esta fazendo? – perguntou ele agora sim assustando, quando a viu abrir a maleta de couro marrom.
- Cuidando do seu ferimento. – respondeu-lhe.
- E sabe o que esta fazendo? – perguntou ele arregalando os olhos. Ela hesitou por um instante abrindo um sorriso em seguida.
- Não se preocupe, eu sou medica. – ela disse por fim. – Agora sente-se.
Anestesiado ele obedeceu sentando-se em uma pequena poltrona atrás dele, ela manteve a maleta aberta sobre uma pequena mesa de centro. Mantinha a expressão do rosto seria, tinha um olhar minucioso, movimentava-se com destreza e agilidade pegando os instrumentos necessários para cuidar de seu ferimento. Apesar de todo sangue que havia derramado fora um ferimento leve, ela lhe deu alguns pontos do lado esquerdo da cabeça finalizando o curativo com gaze e esparadrapo.
- Pronto – ela disse ao termino retirando as luvas brancas de borracha. – Então a quem devo a honra da visita? – disse ironicamente. Sim definitivamente ela tinha algum senso de humor e estava rindo não só daquela situação como estava rindo dele, isso o fez relaxar.
- Theodoro, eu me chamo Theodoro – respondeu lhe casualmente estendendo lhe a mão. – E a senhorita?
- Pode me chamar de Amie – respondeu ela pegando sua mão e balançando duas vezes.
- Emy de... Emily? – disse curioso.
- Não senhor, por acaso ninguém lhe avisou que a curiosidade matou o gato?– disse numa voz afetada para tentar disfarçar o sorriso. – Amie de Amélia, chamo-me Amélia Castopolis.
- E o senhor como deve chama-lo? Theo? Ted? Teddy? – disse ela enfatizando cada um dos nomes com uma careta, aquilo o fez rir.
- Algum problema Theodoro? Acha-me engraçada? – disse buscando parecer ofendida.
- Não senhorita Castopolis – disse desculpando-se – pode chamar-me da maneira que achar conveniente, sinto que estou em falta com sua pessoa... – ele a encara por um instante pensativo e isso a faz corar, e pela primeira vez ela desviar o olhar, passando a ponta da língua sobre os lábios levemente ressecados – minha mãe costuma me chamar de Teddy – disse distraído.
Um grande silêncio se estendeu entre os dois, Amélia se mantinha distraída enquanto recolhia os instrumentos que usara para fazer seu curativo, e Theodoro, esse mantinha os pensamentos em todos os acontecimentos que esse dia lhe trouxe, lembrou-se por um instante do grande conflito interno que teve mais cedo em seu escritório, quando definiu a si próprio como um homem solitário, comparando com a incrível sensação que sentiu ao ter próximo a si a linda moça a sua frente, pensava em Elena, e nos motivos que o trouxera àquele lugar naquela noite fria e úmida.
- Eu estava sendo seguido – sussurrou quebrando o silencio entre eles. Amélia deixa alguma coisa cair no chão virando-se para encara-lo, olhando-o com os olhos arregalados de pânico.
- Se... Seguido- gagueja ela. – vo... Você avisou a policia?
- Não, - disse ainda distraído virando-se para encarar a parede do outro lado. – mas meus homens já estão cuidando disso – disse friamente.
- Ah claro – disse ela tentando manter a voz num tom normal. – seus homens estão cuidando de tudo, essa não é a parte que a jovem donzela descobre que o galã bonitão é herdeiro da máfia, é? – como ela pode fazer algo tão serio parecer uma piada? Ele podia sentir o pânico estampado na sua voz mais ela sempre achava uma forma de fazer tudo parecer mais simples do que realmente é.
- Galã bonitão? – ele rola os olhos virando para encara-la mais uma vez. Ela arqueia as sobrancelhas com um ar zombeteiro nos olhos. – sou herdeiro de muitas coisas senhorita, mas não acredito que a máfia seja uma delas. – diz friamente.
- Quem é você? – ela pergunta muito seriamente avançando alguns passos entre eles. – Quem é você?
Ele pensou em mentir, mas não seria justo com ela, não sabia o motivo, mas tinha algo nela que o atraia, e agora por sua causa ela poderia estar exposta. Sabia o poder que seu nome tinha e o efeito que causava nas pessoas, tinha medo... Sim medo de que ela fosse como todas as outras a desejava desde o momento que a manteve presa em seus braços, sim a desejava como nunca desejou nenhuma outra.
- Eu sou Theodoro Grey... – disse num sopro.
- Filho de Christian Grey da GEH – disse ela completando a frase inacabada. – isso explica muita coisa.
- Explica? – perguntou lhe ansioso.
- Eu estava apenas pensando alto. – disse ela soltando um grande suspiro enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha. Passou as mãos nervosamente pelos cabelos reunindo-os e enrolando-os na palma da mão ate poder dar um nó, fazendo um volumoso coque no topo da cabeça. – então como devo chama-lo agora? Senhor Grey? – perguntou ela finalmente voltando seu olhar para ele.
- Não, não, não – grita ele avançando o espaço entre eles e agarrando-lhe ambas as mãos. – não quero que mude comigo, eu me sinto frustrado tendo que viver a sombra de quem eu sou, eu me orgulho do meu nome, mas quero que me conheça como Theodoro. – sua voz era apenas um apelo. Não queria que seu nome interferisse não dessa vez.
Ela sorrir olhando-o intensamente, e isso o acalma, como pode ela ter tanto poder sobre ele?
- Ei - ela diz buscando seus olhos – eu não sei com que tipo de pessoa você convive, mas eu não sou do tipo que se deixa impressionar tão facilmente, nem mesmo por um nome. – ela sorrir docemente.
- Obrigado. – murmurou ele.
- Pelo que? - diz no mesmo tom.
- Por não ser igual a todas as outras. – disse dando um suspiro aliviado – Amélia...
- Pra você senhorita Castopolis. – ela o interrompe.
- Me desculpe, eu... Pensei... – Seus olhos se arregalam confusos, quando ela se curva não contendo uma gargalhada. O que ele fez? Ela estava rindo dele? Era um som alegre, que o confundia, ela parecia ainda mais bela, o rosto corado pelo esforço, e um sorriso de canto a canto, ele a observava enquanto ela dava uma pausa para recuperar a respiração.
- Quantos anos você tem? 40? – ela disse ofegante.
- Você estava rindo de mim senhorita Castopolis? Acha-me divertido? – disse num tom quase aborrecido.
- Tão sério? – ela solta um tom brincalhão fazendo uma pequena careta. Sua carranca endurece e ela faz beicinho, ele rola os olhos assumindo para si mesmo que esta totalmente desarmado.
- Amélia, Amélia você sempre se comporta dessa forma com seus visitantes noturnos? – diz seriamente.
- Um pouco de humor negro às vezes pode nos fazer bem. –sussurra. – Bem Theodoro, analisemos sua situação, já que não é louco, e nem é um pervertido sexual acho que podemos ser amigos, o que acha? – continua lhe estendo uma mão.
Amigos, sim, ela queria que fossem amigos, aquela proposta lhe encheu de um sentimento desconhecido... Esperança, sim era esperança.
- Amigos. – ele diz aceitando sua mão estendida.
- Bem agora vista isso, você ainda está molhado e não quero que fique doente. – disse ela lhe passando uma camiseta preta.
- Ah seu... Namorado não ficará chateado de você emprestar suas roupas. – pergunta-lhe.
- Não tenho namorado, - responde dando-lhe um sorriso inocente – eram do meu pai, espero que não se importe.
Era quase impossível conter sua felicidade com aquela revelação, solteira, sim ela é solteira, talvez ainda tenha uma chance. Surpreendeu-lhe o rumo que seus pensamentos estavam tomando, olhava-a com uma malicia disfarçada, enquanto ela retribuía seu olhar da maneira mais pura e inocente. Tão bela, ate aquele momento ele só tinha reparado em seu rosto, mas ela tinha um corpo belíssimo. Era de estatura mediana, deveria medir entre 1,65 a 1,70, tinha um corpo de menina, seios pequenos, mas fartos, uma silhueta suave bem torneada e lindas pernas. Ah como ele a desejava.
- Vista. – ela disse num tom levemente repreensivo, mas divertido.
Ele retirou o casaco, e em seguida tirou a camisa tomando cuidado para não machucar o ferimento na sua cabeça, ele podia sentir os olhos delas pairando sobre ele, ela o observava, e quando seus olhares se cruzavam ela desviava o olhar, tímida, com um leve rubor na face. Theodoro vestiu a camisa limpa rapidamente sorrindo satisfeito consigo mesmo, ele também a afetava.
- Meu novo amigo gostaria de uma bebida quente? – perguntou ela timidamente. – temos varias opções no cardápio, café, chá, chocolate quente, achocolatado, ou leite quente com mel, você escolhe. – concluiu ela toda sorridente.
- Chocolate quente. –disse ele depois de um tempo.
- Ótima escolha. – disse ela batendo palminhas, e seguiu em direção a cozinha fazendo um sinal com a mão para ele segui-la.
- Obrigado - sussurrou. Ele estava de pé na soleira da observando-a enquanto ela se movia graciosamente pela cozinha procurando os ingredientes para o chocolate. Ela parou hesitante antes de girar nos calcanhares para encara-lo.
- Disponha, quando cansar é só me avisar. – ela disse lhe dando uma piscadela.
Alguns minutos depois ela colocou duas canecas cheia de um líquido marrom escuro fumegante, ele sentou-se ao seu lado em frente ao balcão pegando uma caneca e tomando um gole. Hum estava uma delícia.
- E então vai me contar porque estava sendo seguido? – ela disse quebrando o silencio que dominava mais uma vez o ambiente.
- Desculpa Amélia, mas eu realmente não gostaria de falar sobre isso. – diz seriamente.
- Entendo. – ela diz olhando para o outro lado.
- Ei – ele diz agarrando-lhe o queixo com uma das mãos forçando-a olhar para ele. – eu só não quero que você se envolva, eu não me perdoaria se algo acontecesse a você.
Ela abre a boca em protesto mais volta a fecha-la quando ouvi o barulho do seu celular. Levanta-se do banco em um salto e corre em direção a sala, ele a segui, ela agarra o aparelho de cima da mesinha sua expressão mudando de seria para assustada, ela olha mais vez para a visor do celular levando-o em seguida para o ouvido.
- Dra. Castopolis. – ela diz tentando manter a voz o mais natural possível.
- Amie sou eu ...Vickie. – alguém responde do outro lado da linha.
- Vickie aconteceu alguma coisa? Não me diga que é o paciente do quarto 504 – ela diz impaciente.
- Não Amélia, não é sobre o quarto 504, é sobre o caso especial do quarto 22. – Vickie diz com uma voz rouca.
Amélia respira fundo tentando manter a calma, imagina que pode ter acontecido o pior, mas prefere mandar esses pensamentos para longe.
- O que aconteceu com o caso especial Victoria? – disse finalmente lutando para controlar as lagrimas, não podia chorar, não naquele momento, foi ai que lembrou-se que não estava sozinha, virou-se e logo seus olhos encontraram Theodoro do outro lado da sala, encarando-a. Ela lhe direciona um sorriso afetado e volta a sua atenção para Vickie do outro lado da linha.
- James quer manda-lo para a diretoria do hospital Amie, e se ele fizer isso podem desligar os aparelhos.
- Vickie diga ao filho da mãe que é o James que se ele fizer isso, ele pode se considerar um homem morto, - disse ela derramando toda a raiva que invadira seu corpo naquelas palavras, ela podia sentir seu rosto queimar com toda a raiva que estava sentindo. James não podia fazer aquilo, não por vingança. – Vickie eu não posso pensar nisso agora, por favor, eu sai de um plantão de 36 horas, tudo que eu fiz foi ver cérebros esfolados e analisar pressão intercraniana, então por favor, manda o James se danar por mim, tá legal? Ele não pode fazer isso comigo, não pode.
- Amie fica calma, eu só achei que você deveria saber, e eu não acredito que o diretor Collins vá dar trela para o grande idiota que é o James, e todo mundo aqui sabe o porquê de ele querer faz isso. – disse Vickie com uma voz calmante. – você quer que eu passe ai depois? Amie?
Amélia se manteve calada diante do telefone por alguns minutos, lágrimas escorriam pelo seu rosto, aquele pesadelo não poderia estar se repetindo, não naquele momento.
- Não Vickie obrigada, eu vou ficar bem, por favor, me desculpe. – ela finalmente conseguiu com que as palavras saíssem, desligou o telefone sem ao menos ouvir a resposta do outro lado, e se entregou as lágrimas. Em um instante ela estava chorando em silêncio, e no instante seguinte, Theodoro estava abraçando-a contra seu peito, um de seus braços estava em torno da sua cintura, e sua outra mão estava acariciando seus cabelos, consolando-a. E eles permanecem assim por um longo tempo.
- Dia difícil? – perguntou ele quando ela conseguiu controlar o choro. Ela não disse nada, apenas o olhou brevemente afundando a cabeça em seu peito em seguida.
- Ei – disse ele levantando seu queixo para que ela lhe olhasse nos olhos. – não chore, está tudo bem.
- Desculpa... Eu... Eu não costumo chorar desse jeito sempre. – murmurou afastando-se.
- Desculpe por ter ouvido sua conversa, - disse com um ar distraído – mas eu ouvi sobre as 36 horas de plantão, acho que eu devo lhe deixar descansar. – continuou.
- Bem, confesso que foi um imenso prazer conhece-la Amélia, só lamento as causas que levaram a esse encontro. – diz beijando-lhe uma das mãos. Ela sorrir, mas o sorriso não lhe toca os olhos. Ele recolhe a jaqueta e ambos seguem ate a porta em silencio.
- Tome Advil caso sinta alguma dor, se sentir tonturas ou falha da visão não hesite em me informar. – ela disse num tom extremamente profissional, e em seguida lhe entregou um pequeno cartão.
- Adeus Amélia. - disse ele curvando-se para beija-la na face.
- Ate logo Theodoro. – disse ela fechando a porta entre eles.
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